13/2/2012
Aquecimento para o Carnaval
Não são só os blocos de rua que anunciam a chegada do Carnaval. O Rio de Janeiro já está em ritmo de festa e o jornal EXTRA aqueceu os tamborins na última terça-feira (7), no Terreirão do Samba. No mesmo dia, em 1932, Mangueira, Portela, Unidos da Tijuca e Estácio (entre outras agremiações que não existem mais) desfilaram pela primeira vez. E para comemorar os 80 anos de desfiles de Carnaval no Rio, o EXTRA e a Prefeitura promoveram uma releitura do desfile de 32, preservando características importantes da época.
Um dos momentos mais marcantes foram as homenagens às personalidades do samba. Delegado, com seu andar já arrastado pela idade, mas com samba no pé, foi eleito o melhor mestre-sala; Vilma Nascimento, a porta-bandeira; Jamelão, o intérprete, que foi representado por seu neto também conhecido por Jamelão; Joãosinho Trinta, o carnavalesco; Tijolo da Portela e Paula do Salgueiro, os passistas; Silas de Oliveira, o compositor; Monarco, simpático e bem disposto a dar entrevistas para toda imprensa, o destaque da velha guarda; e Mestre André, o ritmista/mestre de bateria.
E claro, a sempre bela Luma de Oliveira, eleita a musa do Carnaval de todos os tempos, não poderia deixar de comparecer. Com seu tradicional vestidinho, Luma subiu ao palco e foi reverenciada pelo público saudoso de sua presença na Sapucaí.
Após a entrega dos prêmios, realizada pela atual Rainha de Bateria da Portela, Sheron Menezzes, mais emoção: os desfiles começaram no meio do público, separados apenas por cordas. Como em 1932, cada escola cantou três sambas diferentes, pois à época não havia enredo. Outra curiosidade é que os homens desfilaram na ala das baianas, que estavam bem representadas com seus tradicionais panos da costa. O que hoje conhecemos como comissão de frente, a linha de frente se apresentou atrás do pede passagem (e não à frente, como é hoje) e trouxe os nomes mais importantes de cada agremiação. Já o coração das escolas, a bateria, entrou com um ritmo bem cadenciado, levando o público a cantar mais e mais alto a cada batida.
A emoção de ver os grandes nomes do Carnaval do Brasil tão pertinho e todo envolvimento e paixão dos integrantes das escolas, que está explícito em cada olhar, em cada gesto durante a dança, não tem como ser descrita nessas linhas de texto, é preciso estar imerso naquele mundo. Ainda que por apenas um dia, o EXTRA proporcionou isso ao público, que lá pelas três horas da manhã foi deixando o Terreirão com ar de quero mais Carnaval.
Por: Ingrid Boiteux